Resenha de Névoa blog Balaio de Livros

O que me fez querer ler este livro foi a paixão que eu e a autora nutrimos pelo cinema clássico, na verdade mais ela do que eu, já que a medida em que eu avançava na leitura, ia percebendo o quanto de informação ela busca nos passar por meio do seu livro e fica evidente que ela tem muito conhecimento sobre o assunto. 

Isto só me fez admirá-la ainda mais, pois, garças a Alice tive acesso a muitas curiosidades e filmes que nem conhecia, mas que obviamente já quero muito assistir. Fica Impossível ler esta obra sem imaginar cada filme e ator/atriz citados aqui. É uma aula de cinema clássico.

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Anna Christie é uma vampira de mais de duzentos anos e que com sua aparência de apenas 17 anos, resolve depois de muita insistência de seus amigos, voltar a estudar e frequentar ambientes movimentados já que ela estava a muitos anos trancada dentro de sua mansão vendo os dias passarem sem contato com humanos em meio ao tédio e marasmo.

Ela nasceu na Inglaterra no século XVIII. Sua família era muito rica e viviam em meio ao luxo da época. A mansão dos Christie era gigantesca e imponente. Já naquela época, ela cultivava uma paixão pelas artes de toda espécie, começando pelos livros e hoje pelo cinema.

Anna não mata para se alimentar, não faz isto há bastante tempo, alimenta-se por bolsas de sangue. Não é contra aqueles que matam, só acha que não quer isto para si e evita ao máximo conviver muito tempo com humanos com medo de que possa não resistir à tentação.

Mesmo com seus anseios, ela relutantemente volta á escola e não demora a fazer alguns novos amigos e até mesmo arrumar um namorado. Ao contrário do que ela esperava, a rotina da escola não a desagrada tanto assim e quando Anna se dá conta, está marcando encontro com colegas para fazerem trabalhos e estudarem para provas. 

Mesmo com sua personalidade excêntrica, ela não repele aqueles que se aproximam e parecem gostar dela apesar de em muitas ocasiões chegar a ser exibicionista ao extremo por conta de seu vasto conhecimento sobre filmes e atores antigos. Seus amigos a princípio não se interessam por estes assuntos e estão mais ligados em tecnologia e séries atuais. Chegam até mesmo a dizer que curtem a Saga Crepúsculo, para total desespero de Anna que abomina as criaturas brilhantes criadas por Stephenie Meyer.
O conflito entre o antigo e novo, principalmente em se tratando de tecnologia, deixa Anna bastante confusa e acaba por despertar certa curiosidade entre seus colegas que a acham estranha por não conhecer coisas tão usadas pelos jovens da sua faixa etária ao mesmo tempo em que parece ter tanto conhecimento de coisas que não são mais usadas há anos.

Anna passou tanto tempo reclusa em sua mansão que desenvolveu uma insensibilidade em relação ás pessoas, até mesmo com o casal de amigos vampiros que estão sempre a incentivando a tentar levar uma vida normal. Ela busca passar uma imagem de quem não faz questão da proximidade, mas no fundo nem Anna sabe se é isto mesmo o que ela quer. São muitas dúvidas que a acompanham nestes mais de duzentos anos de existência.

Muitos segredos envolvem Anna e a medida que vamos avançando na leitura, vamos desvendando um por um aos poucos. Ela se envolve mais com a trama depois que uma notícia no jornal da cidade a deixa com a pulga atrás da orelha. Anna acredita haverem mais vampiros por aí e eles estão matando a sangue frio. Sem pensar duas vezes, a menina não mede esforços para descobrir quem são e o que querem.

São no total 609 páginas de muita informação e banho de cultura para quem assim como eu aprecia a sétima arte e principalmente os tempos idos do cinema.

A capa do livro é uma obra de arte. Linda demais, só ela já chama muito a atenção, a sinopse misteriosa completa o quadro de elegância do livro. sim, é assim mesmo que eu classifico este livro, elegante!

Alice escreveu Névoa em primeira pessoa, é a própria Anna quem nos conta cada detalhe dos seus muitos anos e ela usa muitas frases de efeito para que o leitor prenda-se na trama. A tática dá certo, depois que você começa a ler, dificilmente consegue parar…
Quem já leu Anne Rice e/ou assistiu ao filme Entrevista com o Vampiro já pode imaginar o tipo de vampiro que a Alice buscou resgatar em sua obra! 
Enfim, um livro que encanta de todas as formas, pela diagramação perfeita, sinopse instigante e conteúdo escrito com precisão e rico em detalhes. Muito bom é pouco. Recomendo com certeza!

Link: http://balaiodelivros.blogspot.com.br/2014/03/nevoa-alice-von-amerling.html

Marlene Dietrich

Estava, de fato, em um

bar, era elegante e descontraído, bebia um
Whisky Mac. Quanto à música, isso dependia do meu iPod. Era Marlene
Dietrich, “I may never go home anymore” (Talvez eu nunca mais
volte para casa). Ela canta essa música num filme de 1957, chamado“Witness for the prosecution” (Testemunha de acusação).

DietrichNa história, o principal cenário é um tribunal, dirigido por Billy Wilder, e é baseada numa peça da Agatha Christie. É com Tyrone Power, Charles Laughton e Marlene Dietrich. Dietrich interpreta duas personagens neste filme, contudo, algumas pessoas precisam ver o filme uma segunda vez para perceber isso. Eu fui uma delas. Possui atuações que nunca cansam, e cada vez que o filme é visto novamente, percebem-se novos detalhes, há uma harmonia entre os personagens. É como se os tivesse observando ganhar vida. Poderia estar naquele tribunal, acompanhando o desenvolver do julgamento. Era como ser o personagem que observa o transcorrer de um dia num filme de Hitchcock, como Jeff, personagem de James Stewart em “Rear window” (Janela indiscreta). Este filme me tornou uma voyeur. Desconfio que já o era antes dele, e se assim fosse, simplesmente, ele me tornou um caso à parte irreparável.

Ah, os ídolos! Há uma grande confusão entre eles com a admiração
por certo personagem ou pessoa, ao menos no cinema. O ídolo é
aquele por quem se assiste ao filme, não pelo filme em si. Assistimos
só para vê-lo, não importa quantas vezes, pois sem motivo aparente,
o adoramos, pois representa algo que é essencial, como o modo de se
expressar, ou a época à qual pertenceu.

Tal como Deuses Mitológicos

Personagens não morrem, só há uma pequena limitação devido há repetição de ações. Eles são como deuses mitológicos que desceram a terra, nunca os vi, acredito que estiveram por aqui, e não estão mortos pois ainda existem em algum lugar. Estiveram aqui para tornar a vivência dos mortais mais suportáveis, agraciaram esse mundo com a própria divindade. A beleza deles consiste em não poderem ser passageiros. A perfeição é onírica, propositalmente efêmera. Sonhos não duram para sempre. O tempo condiciona a beleza, e mesmo sendo belos externamente, nós todos temos certa podridão. Não existe o ser perfeito, se desprenda dessa ideia. Se o perfeito existir é condicionalmente não humano.

#Névoa #Citações