Marlene Dietrich

Estava, de fato, em um

bar, era elegante e descontraído, bebia um
Whisky Mac. Quanto à música, isso dependia do meu iPod. Era Marlene
Dietrich, “I may never go home anymore” (Talvez eu nunca mais
volte para casa). Ela canta essa música num filme de 1957, chamado“Witness for the prosecution” (Testemunha de acusação).

DietrichNa história, o principal cenário é um tribunal, dirigido por Billy Wilder, e é baseada numa peça da Agatha Christie. É com Tyrone Power, Charles Laughton e Marlene Dietrich. Dietrich interpreta duas personagens neste filme, contudo, algumas pessoas precisam ver o filme uma segunda vez para perceber isso. Eu fui uma delas. Possui atuações que nunca cansam, e cada vez que o filme é visto novamente, percebem-se novos detalhes, há uma harmonia entre os personagens. É como se os tivesse observando ganhar vida. Poderia estar naquele tribunal, acompanhando o desenvolver do julgamento. Era como ser o personagem que observa o transcorrer de um dia num filme de Hitchcock, como Jeff, personagem de James Stewart em “Rear window” (Janela indiscreta). Este filme me tornou uma voyeur. Desconfio que já o era antes dele, e se assim fosse, simplesmente, ele me tornou um caso à parte irreparável.

Ah, os ídolos! Há uma grande confusão entre eles com a admiração
por certo personagem ou pessoa, ao menos no cinema. O ídolo é
aquele por quem se assiste ao filme, não pelo filme em si. Assistimos
só para vê-lo, não importa quantas vezes, pois sem motivo aparente,
o adoramos, pois representa algo que é essencial, como o modo de se
expressar, ou a época à qual pertenceu.

Tal como Deuses Mitológicos

Personagens não morrem, só há uma pequena limitação devido há repetição de ações. Eles são como deuses mitológicos que desceram a terra, nunca os vi, acredito que estiveram por aqui, e não estão mortos pois ainda existem em algum lugar. Estiveram aqui para tornar a vivência dos mortais mais suportáveis, agraciaram esse mundo com a própria divindade. A beleza deles consiste em não poderem ser passageiros. A perfeição é onírica, propositalmente efêmera. Sonhos não duram para sempre. O tempo condiciona a beleza, e mesmo sendo belos externamente, nós todos temos certa podridão. Não existe o ser perfeito, se desprenda dessa ideia. Se o perfeito existir é condicionalmente não humano.

#Névoa #Citações